Trapoeraba
A trapoeraba, também conhecida como trapoeraba-azul, andacá, trapoeraba-de-bengala, trapoeraba-graúda, marianinha, mata-brasil e erva-de-santa-luzia (Nome Científico: Commelina benghalensis L.; Família: Commelinaceae), é uma herbácea perene, rasteira a subereta, nativa do Velho Mundo tropical (África e Ásia) e hoje amplamente distribuída nas regiões tropicais e subtropicais. No Brasil, é comum em hortas, jardins, lavouras e áreas úmidas ou semi-sombreadas, onde se comporta como espontânea/rústica, enraizando facilmente nos nós e rebrotando após cortes. Apesar de ser vista como “mato” agrícola, vem sendo revalorizada como PANC por sua adaptação, cobertura de solo, proteção contra erosão e flores azul-vivas que atraem polinizadores.
Além das folhas tenras, são comestíveis os brotos e flores, preferencialmente colhidos jovens. Na gastronomia, a trapoeraba é utilizada em saladas (folhas jovens higienizadas), refogados, omeletes, sopas e caldos, podendo entrar em farofas e recheios; seu sabor é suave e a textura ligeiramente mucilaginosa confere corpo a preparos úmidos. Tradicionalmente, é citada na medicina popular como emoliente, diurética e calmante leve para pele e mucosas. Como toda PANC espontânea, recomenda-se colher em locais limpos, longe de contaminação, e dar preferência ao consumo cozido quando houver dúvida de procedência; o uso deve ser moderado por pessoas sensíveis.
Observações Importantes:
⚠️ Recomendações de uso:
- Pode ser consumida com moderação, como hortaliça não convencional.
- O consumo pode ser frequente, desde que integrado a uma alimentação variada e equilibrada.
- As folhas e brotos jovens são as partes mais utilizadas na alimentação.
- Recomenda-se priorizar o consumo cozido ou refogado.
- Evitar o consumo cru em grandes quantidades.
- Pessoas com sensibilidade gastrointestinal, em consumo excessivo
- Crianças pequenas, sem preparo adequado
- Pessoas com histórico de alergia a hortaliças pouco comuns
- Justifica seu uso como hortaliça não convencional;
- Confere textura macia após o cozimento;
- Requer preparo térmico para melhor digestibilidade;
- Fundamenta a recomendação de consumo moderado, sobretudo em ambientes institucionais.
- Beldroega (Portulaca oleracea) — folhas suculentas e nutritivas
- Bertalha (Basella alba) — textura macia após o cozimento
- Caruru (Amaranthus spp.) — alternativa regional para refogados
- Folhas de batata-doce — uso tradicional após cozimento
- Ora-pro-nóbis (Pereskia aculeata) — folhas versáteis e nutritivas
- Na dúvida, não consuma.
- Utilize apenas plantas bem identificadas, evite áreas contaminadas e respeite os saberes tradicionais e técnicos antes do uso alimentar.
Tabela Nutricional:
| # | Nutriente | Unidade | Valor(100g) |
|---|---|---|---|
| 1 | Valor energético | kcal | 0 |
| 2 | Carboidratos | g | 0 |
| 3 | Gordura total | g | 0 |
| 4 | Acidez | % | 0 |
| 5 | Proteínas | g | 0 |
| 6 | Fibras totais | g | 0 |
Nome Popular:
Trapoeraba, Trapoeraba-azul, Andacá, Trapoeraba-de-bengala, Trapoeraba-graúda, Marianinha, Mata-brasil, Erva-de-santa-luzia
Nome Científico:
Commelina benghalensis L
Família:
Commelinaceae
Sazonalidade:
Janeiro-Dezembro
Sabor:
Suave e Neutro
Sugestão de Preparo:
Omelete de Trapoeraba com tomate-cereja
Origem:
Naturalizada
Endemismo:
Não é endêmica do Brasil
Forma de Vida:
Erva
Substrato:
Rupícola, Terrícola
Distribuição Geográfica - Ocorrências Confirmadas:
Norte (Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins); Nordeste (Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe); Centro-Oeste (Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso); Sudeste (Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo); Sul (Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina)
Domínios Fitogeográficos:
Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampa, Pantanal
Tipo de Vegetação:
Área Antrópica, Caatinga (stricto sensu), Cerrado (lato sensu), Floresta Estacional Decidual, Floresta Estacional Semidecidual, Floresta Ombrófila (Floresta Pluvial), Floresta Ombrófila Mista, Restinga, Vegetação Sobre Afloramentos Rochosos
Cultivo:
Semente e Propagação Vegetativa
Descrição:
Caule: posição ereto(s)-decumbente(s). Folha: bráctea-involucral(ais) fechado(s); indumento ausente(s)-adaxial-abaxial; tricoma(s) avermelhado-alvo. Inflorescência: bráctea(s) peciolada(s). Flor: estame(s) azulado; estaminódio(s) amarelado; pétala(s) azulada. Fruto: fruto(s) cápsula(s). Semente: forma obovoide(s).
🌿 Trapoeraba (Commelina benghalensis L.).
👅 Perfil sensorial (base para as preparações):
- Sabor: suave, levemente adocicado e vegetal
- Aroma: fresco, verde e discreto
- Textura: folhas e talos suculentos, macios após cocção
➡️ Excelente para preparações salgadas, como refogados, caldos, sopas, recheios e tortas, funcionando como verdura de sabor neutro e boa aceitação sensorial
🧂 Pratos salgados e preparações culinárias
Omelete de Trapoeraba com tomate-cereja
Ingredientes:
- 80 gr de Trapoeraba (folhas e talos jovens)
- 60 gr de Tomate-cereja
- 30 gr de Muçarela ralada
- 3 Ovos
- 40 gr de Cebola
- 1 dente de Alho
- 15 ml de Óleo ou azeite
- Sal – a gosto
- Pimenta-do-reino ou ervas – opcional
Modo de preparo:
- Lavar bem a trapoeraba e picar finamente.
- Lavar os tomates-cereja e cortá-los ao meio.
- Refogar a cebola e o alho em fio de óleo até ficarem translúcidos.
- Acrescentar a trapoeraba e refogar rapidamente, apenas até murchar.
- Adicionar o tomate-cereja e saltear por poucos segundos, preservando a suculência.
- Bater levemente os ovos com a muçarela, sal e temperos.
- Misturar o refogado aos ovos.
- Levar à frigideira untada, em fogo baixo, até firmar dos dois lados.
- Servir quente.
🍮 Doces e sobremesas
🍬 Processados artesanais e conservas
🌱 Preparações-base e ingredientes culinários
🍪 Panificação e confeitaria
🍹 Bebidas e preparações líquidas
🧪 Fermentados e usos especiais
1. Propriedades medicinais:
- É analgésica (alivia a dor).
- É anti-inflamatória.
- É antimicrobiana (combate bactérias).
- É antioxidante.
- É diurética.
- É hepatoprotetora (protege o fígado).
- É sedativa.
- É antiviral.
- Atua como anticancerígeno (atividade antiproliferativa).
- É anti-helmíntica (combate vermes).
- Induz a fertilidade (uso tradicional).
- Trata infecções oculares (conjuntivite/oftalmia).
- Trata dores de garganta.
- Trata queimaduras.
- Trata feridas (cicatrizante).
- Trata lepra (uso tradicional).
- Trata dores de cabeça.
- Trata constipação (laxante).
- Trata febre (febrífuga).
- Trata picadas de cobra e insetos.
- Trata sapinho bucal (candidíase oral).
- É emoliente (suaviza a pele).
- Trata insanidade/doenças mentais (uso tradicional).
- Trata epilepsia.
- Trata icterícia.
2. Territorialidades associadas à espécie:
A trapoeraba ocorre amplamente em áreas agrícolas, hortas, quintais, áreas urbanas e margens de caminhos, sendo frequentemente manejada como planta espontânea e, em muitos contextos, considerada planta invasora. Sua presença expressa territorialidades alimentares não convencionais associadas à ressignificação de plantas espontâneas como alimento, à soberania alimentar e ao conhecimento tradicional sobre o uso de plantas do cotidiano.
3. Dimensão bioquímica–sensorial:
Sensorialmente, a trapoeraba apresenta folhas e brotos de sabor suave, levemente vegetal e refrescante, com textura macia após o preparo. É fonte de fibras, minerais e compostos fenólicos, além de apresentar mucilagem em pequenas quantidades, o que contribui para sua versatilidade culinária e perfil funcional.
4. Saúde, alimentação e saberes populares :
Nos saberes populares, a trapoeraba é reconhecida por suas propriedades anti-inflamatórias, diuréticas e calmantes, sendo utilizada tanto na alimentação quanto em preparações medicinais tradicionais, como chás e cataplasmas. Seu uso articula práticas alimentares cotidianas, cuidado com a saúde e saberes populares.
5. Dimensão produtiva e econômica :
A espécie apresenta elevado potencial produtivo em pequena escala devido ao seu crescimento rápido e disponibilidade espontânea. Seu valor econômico está associado principalmente ao consumo local, à gastronomia de base comunitária e à valorização de plantas alimentícias não convencionais.
6. Agricultura familiar e agroecologia :
A trapoeraba integra sistemas agroecológicos como planta espontânea comestível, contribuindo para a cobertura do solo, redução da erosão e diversificação alimentar. Seu manejo consciente fortalece a autonomia produtiva e a soberania alimentar da agricultura familiar.
7. Integração humano–animal :
A trapoeraba serve como recurso alimentar para insetos e pequenos animais, além de contribuir para a manutenção da biodiversidade local. Seus resíduos vegetais podem ser utilizados na compostagem, reforçando os ciclos ecológicos nos sistemas produtivos.
8. Função ecológica e ambiental :
A espécie desempenha papel importante na proteção do solo, na manutenção da umidade e na ciclagem de nutrientes, especialmente em áreas agrícolas e hortas. Sua presença contribui para o equilíbrio ecológico e a sustentabilidade dos agroecossistemas.
9. Potencial educativo :
A trapoeraba apresenta elevado potencial educativo por permitir a discussão sobre plantas espontâneas, PANC, agroecologia, soberania alimentar e saberes populares, sendo amplamente utilizada em hortas escolares, oficinas e ações de educação ambiental e alimentar.
10. Potencial econômico :
A trapoeraba apresenta potencial econômico em nichos locais, gastronomia comunitária, feiras agroecológicas e iniciativas de valorização de plantas alimentícias não convencionais.
Produtos e subprodutos com potencial de comercialização:
- Folhas e brotos frescos para consumo culinário;
- Preparações culinárias artesanais;
- Chás e preparados tradicionais;
- Insumos para oficinas e hortas educativas;
- Produtos gastronômicos de base comunitária;
- Kits educativos e agroecológicos.
Referências
Figura 01: https://www.biodiversity4all.org/taxa/76425-Commelina-benghalensis
Figura 02: https://www.biodiversity4all.org/photos/316004228?size=original
Figura 03: https://www.biodiversity4all.org/photos/191662803?size=original
Figura 04: https://www.biodiversity4all.org/photos/328540581?size=original
Figura 05: https://www.biodiversity4all.org/photos/350617439?size=original
Figura 07: https://bs.plantnet.org/image/o/e59d4379ff8f7c3aca97e5c923a2e3cdcdf8f26a
Figura 08: https://bs.plantnet.org/image/o/2e55e545cae58623fd35a585d2df6621515a497c
Figura 09: https://bs.plantnet.org/image/o/74656e49a8e00e5088dbdb136e91805a37b35ad9
Figura 10 Foto tirada por - Jefferson Carlos Sanches de Faria
Figura 11: https://www.biodiversity4all.org/photos/222704721?size=original
Figura 13: https://www.gratispng.com/png-4u4nu9/download.html
Texto (Trapoeraba) fonte: https://sementedetudo.com/2020/03/trapoeraba-azul-praga-para-maioria-mas.html
Texto (Trapoeraba) fonte: https://come-se.blogspot.com/2010/11/trapoeraba-se-nao-pode-com-ela-coma.html
Texto (Trapoeraba) fonte: http://nossafloranossomeio.eco.br/2023/06/trapoeraba-commelina-benghalensis-caracteristicas-beneficios.html#google_vignette
Texto (Trapoeraba) fonte: https://www.unifal-mg.edu.br/agriculturaurbana/trapoeraba/
Texto (Trapoeraba) fonte: https://pza.sanbi.org/commelina-benghalensis
Texto (Trapoeraba) fonte: RANIERI, Guilherme. Matos de Comer: Identificação de plantas comestíveis. Guilherme Ranieri. 1ª ed. São Paulo. Ed. do Autor, 2021.
Texto (Propriedades Medicinais) fonte: https://revistas.ufpr.br/academica/article/download/56123/34785/225792
Texto (Propriedades Medicinais) fonte: https://ojs.studiespublicacoes.com.br/ojs/index.php/cadped/article/download/22965/12756/58072
Texto (Propriedades Medicinais) fonte: https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BRJD/article/download/44318/pdf/110821
Tabela (Tabela Nutricional) fonte:
Texto (Nome Científico, Origem, Endemismo, Froma de Vida, Substrato, Distribuição Geográfica, Domínios Fitogeográficos, Tipo de Vegetação, Descrição) fonte: https://floradobrasil.jbrj.gov.br/consulta/#CondicaoTaxonCP
Ficha Técnica - Omelete de Trapoeraba com tomate-cereja Jefferson Carlos Sanches de Faria