Pepino-doce

O pepino-doce, também conhecido como pepino-vermelho, mini-pepino, pepino-mirim, pepino-silvestre, melãozinho, pepino-de-são-caetano, pepino-escarlate, maxixinho, maxixe-grande, cabaça-hera, maxixe-do-reino, pepino-listrado, pepino-rasteiro, cabaça-de-hera, ivy-gourd, scarlet-gourd e tindora (Nome Científico: Coccinia grandis (L.) Voigt; Família: Cucurbitaceae), é uma planta trepadeira perene de origem tropical, amplamente distribuída na África, Ásia e introduzida em regiões tropicais e subtropicais das Américas. No Brasil, ocorre de forma espontânea em quintais, cercas, hortas e áreas rurais, sendo frequentemente confundida com outras cucurbitáceas. Possui folhas lobadas, flores esbranquiçadas a amareladas e frutos ovais que passam do verde ao vermelho intenso quando maduros, apresentando polpa suculenta e sementes numerosas.

Os frutos do pepino-doce podem ser consumidos em diferentes estágios de maturação: verdes, são utilizados de forma semelhante ao pepino ou ao maxixe, em refogados, ensopados, saladas, conservas e pratos salgados; maduros, quando adquirem coloração vermelha, apresentam sabor levemente adocicado e são empregados em geleias, doces, compotas, sucos e preparações agridoce. As folhas jovens também podem ser consumidas cozidas. Nutricionalmente, o pepino-doce é fonte de fibras, vitaminas A e C e minerais, contribuindo para a diversificação alimentar. Na medicina popular, é associado a propriedades digestivas, anti-inflamatórias e antioxidantes. Versátil, rústico e de fácil cultivo, o pepino-doce destaca-se como uma Planta Alimentícia Não Convencional (PANC) com grande potencial culinário e cultural.




Observações Importantes:

⚠️ Recomendações de uso:

  • O uso alimentar deve ser criterioso e bem identificado.
  • Priorizar o consumo dos frutos jovens e imaturos, sempre cozidos.
  • Evitar o consumo cru, especialmente de frutos maduros.
  • As folhas podem ser utilizadas apenas após cocção adequada.
  • O uso deve ser pontual e moderado, não sendo indicada como hortaliça de consumo diário.
❌ Não recomendado para:
  • Gestantes
  • Crianças pequenas
  • Pessoas com sensibilidade gastrointestinal
  • Uso em alimentação escolar e cozinhas institucionais
🌱 Justificativa técnica: O pepino-doce (*Coccinia grandis*) é uma cucurbitácea de uso alimentar registrado em diferentes culturas, porém:
  • Apresenta variação no teor de compostos bioativos conforme estágio de maturação;
  • O consumo seguro está associado ao uso de partes jovens e bem cozidas;
  • Existe risco de confusão com espécies tóxicas do mesmo gênero ou de gêneros próximos;
  • Recomenda-se a aplicação do princípio da precaução alimentar, sobretudo em contextos coletivos.
🔁 Sugestões de substituição (uso como hortaliça): Caso não seja possível ou recomendado o uso do pepino-doce (*Coccinia grandis*), podem ser utilizadas hortaliças com função culinária semelhante, que cumprem o mesmo papel alimentar com maior respaldo para uso cotidiano:
  • Abobrinha (Cucurbita spp.) — uso seguro e versátil
  • Chuchu (Sechium edule) — textura suave e ampla aceitação
  • Caxi (Lagenaria siceraria) — tradicional em preparações cozidas
  • Pepino comum (Cucumis sativus) — quando o objetivo for frescor
  • Maxixe (Cucumis anguria) — alternativa regional com uso consolidado
⚠️ Alerta de segurança:
  • Na dúvida, não consuma.
  • Procure orientação para a correta identificação da espécie, evite confusões botânicas, verifique possíveis reações alérgicas e respeite os saberes tradicionais e técnicos antes do uso alimentar.


Tabela Nutricional:

# Nutriente Unidade Valor(100g)
1 Energia kcal 0
2 Proteína g 1,2
3 Lipídeos g 0,1
4 Carboidratos g 3,1
5 Carboidratos g 5,29
6 Fibras g 1,6
*Percentual de valores diários fornecidos pela porção 100 gr cru.

Veja em 3D:

Folha

Galho

Prato

Nome Popular:

Pepino-doce, Pepino-vermelho, Mini-pepino, Pepino-mirim, Pepino-silvestre, Melãozinho, Pepino-de-são-caetano, Pepino-escarlate, Maxixinho, Maxixe-grande, Cabaça-hera, Maxixe-do-reino, Pepino-listrado, Pepino-rasteiro, Cabaça-de-hera, Ivy-gourd, Scarlet-gourd, Tindora.

Nome Científico:

Coccinia grandis (L.) Voigt

Família:

Cucurbitaceae

Sazonalidade:

Outubro-Março

Sabor:

Fruto Verde - Imaturo (Suave e refrescante que lembra muito o pepino comum, porém com uma leve acidez e adstringência) Fruto Vermelho - Maduro (A polpa torna-se macia, cremosa e adocicada. Alguns descrevem o sabor como uma mistura que lembra caqui e melancia. Nesse estágio, seu sabor mais neutro e adocicado permite que seja usado em geleias, sucos ou como substituto do tomate em molhos para massas.)

Sugestão de Preparo:

Molho rústico de Pepino-doce

Origem:

Cultivada

Endemismo:

Não é endêmica do Brasil

Forma de Vida:

Liana, Volúvel, Trepadeira

Substrato:

Terrícola

Distribuição Geográfica - Ocorrências Confirmadas:

Norte (Tocantins); Nordeste (Bahia, Pernambuco); Centro-Oeste (Mato Grosso); Sudeste (Rio de Janeiro); Sul (Paraná)

Domínios Fitogeográficos:

Cerrado, Mata Atlântica e Caatinga.

Tipo de Vegetação:

Área Antrópica

Cultivo:

Semente e Estaquia

Descrição:

Trepadeira heliófila. Folhas verdes discolores, escura na face adaxial. Flores pistiladas com hipanto verde e corola alva. Frutos oblongos, jovens verdes com estrias longitudinais claras e quando maduros totalmente vermelhos. Sementes horizontais claras com arilo róseo a vermelho. Frutos muito utilizados na alimentação em conservas, conhecido com Pepininhos de conserva.


🥒 Pepino-doce (Coccinia grandis).

👅 Perfil sensorial (base para as preparações):

  • Sabor: suave e fresco, lembrando pepino e abobrinha, com leve dulçor quando jovem
  • Aroma: verde, delicado e refrescante
  • Textura: polpa crocante quando cru; macia e suculenta após cocção

➡️ Excelente para preparações cruas e salgadas, como saladas, conservas, refogados rápidos, curries, recheios e pratos leves, absorvendo bem temperos e molhos


🌱 Preparações-base e ingredientes culinários


Molho rústico de Pepino-doce


Ingredientes:

  • 300 g de frutos maduros de pepino-doce
  • 1 colher (sopa) de azeite
  • 1/2 cebola picada
  • 1 dente de alho
  • Sal a gosto
  • Pimenta-do-reino (opcional)
  • 1 colher (chá) de suco de limão ou vinagre suave


Modo de preparo:

  • Refogue a cebola no azeite.
  • Acrescente o alho.
  • Junte os frutos picados.
  • Cozinhe por 10–15 minutos, mexendo.
  • Ajuste sal e acidez.
  • Bata ou mantenha rústico.

Figura 11 - Molho rústico de Pepino-doce Figura 11 - Molho rústico de Pepino-doce

🍮 Doces e sobremesas


🍬 Processados artesanais e conservas


🧂 Pratos salgados e preparações culinárias


🍪 Panificação e confeitaria


🍹 Bebidas e preparações líquidas


🧪 Fermentados e usos especiais


1. Propriedades medicinais:

  • É anti-inflamatório.
  • É rico em micronutrientes.
  • É rico em fibras.
  • É hepatoprotetor.
  • É antifúngico.
  • É anti-helmíntico.
  • É rico em betacaroteno.
  • É rico em flavonoides.
  • É laxante.
  • Trata diabetes.
  • Trata erupções cutâneas.
  • Trata gonorreia.
  • Regula níveis de açúcar no sangue.
  • Inibe a enzima glicose-6-fosfato.
  • Potencializa o efeito da insulina.
  • Regenera células β-pancreáticas.
  • Aumenta a secreção de insulina.
  • Tem atividade anticâncer.
  • É antibacteriano.
  • Tem função antienvelhecimento.
  • Tem atividade citotóxica (contra células cancerígenas).
  • É rico em cálcio, potássio, sódio, magnésio.
  • É um remédio tradicional.
  • Restaura enzimas antioxidantes.
  • Aumenta a captação de glicose.
  • Regula enzimas metabólicas.
  • Melhora o perfil lipídico.
  • Inibe enzimas digestivas.
  • Inibe α-amilase.
  • Inibe α-glucosidase.
  • Inibe GLUT2.
  • Diminui a captação de glicose/frutose.
  • Protege células β do pâncreas.
  • Aumenta a expressão de GLUT4.
  • Suprime a gliconeogênese.
  • Reduz colesterol total, triglicerídeos, VLDL, LDL.
  • Aumenta HDL-colesterol.
  • Inibe xantina oxidase (para hiperuricemia/gota).
  • É analgésico.
  • É antipirético.
  • É anti-hiperlipidêmico.
  • É inseticida.
  • É quimioprotetor (contra ciclofosfamida).
  • Inibe diversas bactérias e fungos (incluindo S. aureus, E. coli, K. pneumoniae, C. albicans).
  • É antidislipidêmico.
  • É antiobesidade.
  • É antinociceptivo.
  • É espasmolítico.
  • É cicatrizante.
  • É antiulcerogênico.
  • É anticonvulsivante.
  • É imunomodulador.
  • Trata hanseníase.
  • Trata icterícia.
  • Trata asma.
  • Trata bronquite.
  • Trata queimaduras.
  • Trata feridas na língua.
  • Alivia dor de ouvido.
  • Trata indigestão.
  • Trata infecções oculares.
  • Alivia náuseas.
  • Alivia picadas de insetos.
  • Reduz o risco de câncer de mama.
  • Reduz a degeneração macular relacionada à idade.
  • Trata catarata.
  • Trata vômitos.
  • É antiviral (anti-HBV, contra vírus da febre aftosa).
  • É antiparasitário (antileishmanial, antiplasmodial).
  • É larvicida.
  • Reduz degranulação de mastócitos.
  • Relaxa músculos lisos.
  • É anti-constipação.
  • Estabiliza membrana eritrocitária.
  • Reduz edema de pata.
  • Induz apoptose em células cancerígenas.
  • Modula vias de sinalização (NF-κB, ERK1/2, IL-6/JAK/STAT3).
  • Reduz writhing induzido por ácido acético.
  • Aumenta o índice fagocítico.
  • Aumenta a produção de anticorpos.
  • É antitussígeno.
  • Reduz secreção de ácido gástrico.
  • Aumenta a barreira mucosa.
  • Estimula formação de muco.
  • Reduz enzimas hepáticas e bilirrubina.
  • Reduz lesões necróticas.
  • Up-regula PPAR-α e PPAR-γ.
  • Reduz TC, TG, FFA, ALT, AST, ALP.
  • Reduz hs-CRP, IL-6, IL-1β, TNF-α, TGF-β, leptina.
  • Aumenta adiponectina, IL-10.
  • Promove a deposição de colágeno.
  • Promove a reepitelização.
  • Aumenta EGF e TGF-β (cicatrização).
  • Causa paralisia e morte de vermes.
  • Segura para uso em humanos (em doses testadas).
  • Não apresenta toxicidade óbvia ou efeitos colaterais.


2. Territorialidades associadas à espécie:

O pepino-doce ocorre em quintais, cercas, áreas periurbanas e sistemas de cultivo informal, sendo frequentemente conduzido como planta trepadeira em espaços domésticos. Sua presença expressa territorialidades ligadas ao manejo espontâneo, ao autoconsumo e à circulação de saberes culinários associados a hortaliças pouco convencionais.


3. Dimensão bioquímica–sensorial:

Sensorialmente, o pepino-doce apresenta sabor suave e levemente adocicado, textura crocante quando jovem e polpa macia em frutos mais desenvolvidos. Essas características favorecem seu uso tanto cru quanto refogado, em saladas ou preparações quentes.


4. Saúde, alimentação e saberes populares :

Nos saberes populares, o pepino-doce é associado a preparações leves e refrescantes, sendo consumido como hortaliça de fácil digestão. Seu uso articula alimentação cotidiana e práticas culinárias simples, especialmente em contextos de autoconsumo.


5. Dimensão produtiva e econômica :

A espécie apresenta bom potencial produtivo em pequena escala, com crescimento vigoroso e produção contínua de frutos. Seu valor econômico está associado à diversificação de hortaliças e à valorização de espécies não convencionais em mercados locais e agroecológicos.


6. Agricultura familiar e agroecologia :

O pepino-doce adapta-se bem a sistemas agroecológicos, podendo ser cultivado em cercas vivas, suportes e consórcios com outras hortaliças. Seu cultivo contribui para a otimização do espaço, diversificação produtiva e fortalecimento da autonomia alimentar em sistemas familiares.


7. Integração humano–animal :

Além do consumo humano, os frutos e partes vegetativas podem ser aproveitados de forma complementar na alimentação animal, especialmente em sistemas familiares, fortalecendo a integração entre produção vegetal e animal.


8. Função ecológica e ambiental :

A espécie contribui para a cobertura vegetal, proteção do solo e diversificação estrutural de quintais e hortas, além de ofertar flores para insetos polinizadores.


9. Potencial educativo :

O pepino-doce possui potencial educativo por seu hábito trepador, rápido crescimento e uso culinário versátil, permitindo abordagens sobre plantas alimentícias não convencionais, manejo agroecológico e diversidade de formas de cultivo.


10. Potencial econômico :

O pepino-doce apresenta potencial econômico em circuitos curtos de comercialização, feiras agroecológicas e mercados locais, associado à diversificação da oferta de hortaliças e ao interesse por alimentos não convencionais.

Produtos e subprodutos com potencial de comercialização:

  • Frutos jovens para consumo cru ou refogado;
  • Frutos maduros para preparações cozidas;
  • Pepino-doce minimamente processado;
  • Conservas e preparações artesanais;
  • Mudas para quintais produtivos e hortas comunitárias;
  • Sementes para troca comunitária e venda local;
  • Produtos educativos para oficinas e ações de educação alimentar.

Figura 12 - Pepino-Doce Figura 12 - Pepino-doce

Referências

Foto Capa: https://media-agro.estadao.com.br/uploads/2025/06/AdobeStock_1033645938-scaled.jpeg

Figura 01: https://ourtropicalsoil.com/wp-content/uploads/2018/11/DSC00556.jpg

Figura 02: https://portal.wiktrop.org/files-api/api/get/raw/observations//731b1451-c14f-4ef9-b9bd-37dbf841f39a/ae8159f15ffd4cfd8c7e03e998eb1c0d.JPG

Figura 03: https://ourtropicalsoil.com/wp-content/uploads/2018/11/DSC00569.jpg

Figura 04: https://ourtropicalsoil.com/wp-content/uploads/2018/11/DSC00500.jpg

Figura 05: https://ourtropicalsoil.com/wp-content/uploads/2018/11/DSC00550.jpg

Figura 06: https://ourtropicalsoil.com/wp-content/uploads/2018/11/DSC00524.jpg

Figura 07: https://ourtropicalsoil.com/wp-content/uploads/2018/11/DSC00492.jpg

Figura 08: https://ourtropicalsoil.com/wp-content/uploads/2018/11/DSC00522.jpg

Figura 09: https://ourtropicalsoil.com/wp-content/uploads/2018/11/DSC00526.jpg

Figura 10 Foto tirada por - Jefferson Carlos Sanches de Faria

Figura 11: https://ourtropicalsoil.com/wp-content/uploads/2018/11/DSC00557.jpg

Figura 13: https://www.gratispng.com/png-4u4nu9/download.html

Texto (Pepino-doce) fonte: https://hortodidatico.ufsc.br/pepino-doce/

Texto (Pepino-doce) fonte: https://globorural.globo.com/vida-na-fazenda/gr-responde/noticia/2020/10/conheca-o-pepino-vermelho-fruto-aproveitado-em-receitas-doces-e-salgadas.html

Texto (Pepino-doce) fonte: https://www.nutrir.com.vc/horta/Cgrandis.pdf

Texto (Pepino-doce) fonte: https://agro.estadao.com.br/economia/pepino-vermelho

Texto (Pepino-doce) fonte: https://www.nutrir.com.vc/horta/Cgrandis.pdf

Texto (Pepino-doce) fonte: KINUPP, V.F.; LORENZI, H. Plantas alimentícias não convencionais (PANC) no Brasil: guia de identificação, aspectos nutricionais e receitas ilustradas. São Paulo: Instituto Plantarum de Estudos da Flora, 2014.

Texto (Propriedades Medicinais) fonte: http://dx.doi.org/10.1016/j.sajb.2015.01.012

Texto (Propriedades Medicinais) fonte: https://doi.org/10.1016/j.ctmp.2024.200150

Texto (Propriedades Medicinais) fonte: https://japsonline.com/admin/php/uploads/3535_pdf.pdf

Texto (Propriedades Medicinais) fonte: https://repositorio.utfpr.edu.br/jspui/bitstream/1/35745/1/caracterizacaoquimicapepininhomato.pdf

Texto (Propriedades Medicinais) fonte: https://ijpjournal.com/?action=download_pdf&postid=1539

Tabela (Tabela Nutricional) fonte: https://sustentacomuni.blogspot.com/2012/11/picao-branco.html

Texto (Nome Científico, Origem, Endemismo, Froma de Vida, Substrato, Distribuição Geográfica, Domínios Fitogeográficos, Tipo de Vegetação, Descrição) fonte: https://floradobrasil.jbrj.gov.br/consulta/#CondicaoTaxonCP

Ficha Técnica - Molho rústico de Pepino-doce Jefferson Carlos Sanches de Faria

Figura 13 - Referências. Figura 13 - Referências.