Jurubeba
A jurubeba, também conhecida como jurubeba-verdadeira, jubeba, jupeba, jurubeba-branca e juuna (Nome Científico: Solanum paniculatum L.;Família: Solanaceae), é um arbusto perene nativo das Américas tropicais, amplamente distribuído no Brasil, especialmente nas regiões Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste. Com suas folhas adaptadas a climas semiáridos, a jurubeba é resistente e frequentemente encontrada em áreas de Cerrado e Caatinga. Além de sua importância ecológica, sendo utilizada na recuperação de áreas degradadas, também desempenha papel significativo na medicina popular e na alimentação de comunidades tradicionais.
Seus frutos pequenos e amargos, com coloração que varia do verde ao amarelo quando maduros, são amplamente utilizados na culinária e como remédio natural. Na gastronomia, a jurubeba é valorizada em preparos como conservas, refogados, farofas e molhos, sendo muito apreciada em alguns pratos regionais brasileiros, como acompanhamentos em feijoadas. Rica em compostos bioativos como flavonoides, alcaloides e saponinas, também contém vitaminas como a C, além de minerais como ferro e cálcio. Medicinalmente, suas folhas, frutos e raízes são reconhecidos por propriedades digestivas, anti-inflamatórias, hepatoprotetoras e antioxidantes, sendo tradicionalmente utilizados no tratamento de problemas hepáticos, digestivos e febres. Combinando resiliência e versatilidade, a jurubeba é uma planta de grande valor para a cultura, saúde e sustentabilidade.
Observações Importantes:
⚠️ Recomendações de uso:
- Utilizar exclusivamente os frutos maduros ou devidamente processados.
- O uso deve ser pontual e moderado, preferencialmente como ingrediente culinário ou medicinal tradicional.
- Não consumir frutos verdes ou partes cruas da planta.
- Priorizar preparações como conservas, refogados, infusões leves ou bebidas tradicionais.
- Evitar o uso contínuo e prolongado sem orientação.
- Gestantes
- Crianças pequenas
- Pessoas com distúrbios gastrointestinais ou hepáticos
- Pessoas sensíveis a alcaloides ou a espécies do gênero Solanum
- Justifica o uso tradicionalmente controlado na alimentação e na fitoterapia popular;
- Confere sabor amargo característico, apreciado em preparações específicas;
- Exige processamento adequado para redução de potenciais efeitos adversos;
- Fundamenta a aplicação do princípio da precaução alimentar, sobretudo em contextos institucionais.
- Berinjela — sabor levemente amargo, segura após cocção
- Escarola ou chicória — amargor controlado em refogados
- Dente-de-leão (Taraxacum officinale) — folhas amargas com uso alimentar consolidado
- Almeirão — alternativa tradicional em pratos quentes
- Alcachofra — amargor funcional associado à digestão
- Na dúvida, não consuma.
- Utilize apenas frutos corretamente identificados e maduros.
- Procure orientação técnica ou etnobotânica, verifique possíveis reações alérgicas e respeite os saberes tradicionais e científicos antes do uso alimentar.
Tabela Nutricional:
| # | Nutriente | Unidade | Valor(100g) |
|---|---|---|---|
| 1 | Energia | kcal | 125 |
| 2 | Carboidratos | g | 23 |
| 3 | Proteínas | g | 4,5 |
| 4 | Lipídeos | g | 4 |
| 5 | Fibra insolúvel | g | 24 |
Nome Popular:
Jurubeba, Jurubeba-verdadeira, Jubeba, Jupeba, Jurubeba-branca, Juuna
Nome Científico:
Solanum paniculatum L.
Família:
Solanaceae
Sazonalidade:
Janeiro-Dezembro
Sabor:
Amargo
Sugestão de Preparo:
Jurubeba em conserva
Origem:
Nativa
Endemismo:
Não é endêmica do Brasil
Forma de Vida:
Arbusto
Substrato:
Terrícola
Distribuição Geográfica - Ocorrências Confirmadas:
Norte (Pará); Nordeste (Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe); Centro-oeste (Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso); Sudeste (Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo); Sul (Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina); Ilhas Oceânicas (Fernando de Noronha)
Domínios Fitogeográficos:
Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampa
Tipo de Vegetação:
Área Antrópica, Floresta Ombrófila (Floresta Pluvial)
Cultivo:
Semente e Estaquia
Descrição:
Caule: tipo não radicante não tuberoso(s); acúleo(s) presente(s); simpódio(s) com 3 ou mais folha(s). Folha: pecíolo(s) não volúvel(eis); lâmina(s) simples-lobada(s) ou pinatifida(s); face(s) adaxial tricoma(s) ausente(s)-estrelado(s); face(s) abaxial tricoma(s) estrelado(s). Inflorescência: cimeira(s) 1 furcada(s)-2 ou mais furcada(s); pedúnculo(s) presente(s); posição terminal(ais). Flor: cálice(s) lobado(s); corola pentagonal(ais) ou rotácea(s); antera(s) atenuada(s); conectivo(s) não espessado(s). Fruto: cálice(s) não acrescente(s); cor amarela; formato orbicular(es); pericarpo glabro(s). Semente: ala(s) ausente(s); formato ovoide(s) reniforme(s).
🍃 Jurubeba (Solanum paniculatum).
👅 Perfil sensorial (base para as preparações):
- Sabor: intensamente amargo, herbal e persistente
- Aroma: verde, resinoso e levemente terroso
- Textura: frutos firmes quando verdes; mais macios após processamento
➡️ Indicada para preparações salgadas e bebidas tradicionais, como conservas, infusões, licores e pratos regionais, onde o amargor funcione como elemento funcional, digestivo e identitário
🍬 Processados artesanais e conservas
Jurubeba em conserva
Ingredientes:
- 500 g de frutos de jurubeba
- Água suficiente para as fervuras
- 1 colher (chá) de sal
- 1 folha de louro (opcional)
- 2 dentes de alho levemente amassados (opcional)
- Azeite ou salmoura para conservação
Modo de preparo:
- Lave bem os frutos de jurubeba.
- Leve-os à panela com água e ferva por 20 minutos.
- Escorra a água e repita o processo 2 a 3 vezes, sempre com água nova, até reduzir o amargor.
- Na última fervura, adicione o sal (e o louro, se usar).
- Escorra novamente e deixe esfriar.
- Acondicione em frasco limpo, cobrindo com azeite ou salmoura.
- Tampe e leve à geladeira por pelo menos 24 horas antes do consumo.
🍮 Doces e sobremesas
🌱 Preparações-base e ingredientes culinários
🧂 Pratos salgados e preparações culinárias
🍪 Panificação e confeitaria
🍹 Bebidas e preparações líquidas
🧪 Fermentados e usos especiais
1. Propriedades medicinais:
- Trata problemas hepáticos.
- Estimula funções digestivas.
- Trata gastrite crônica.
- Trata anemias.
- Alivia bronquite.
- Alivia tosse.
- Trata artrite.
- Combate verminoses gastrintestinais.
- Tem atividade citotóxica.
- É antiulcerosa.
- É antioxidante.
- É antibacteriana.
- É antiviral (contra herpesvírus).
- É antidiarreica.
- É antimicrobiana.
- É anti-inflamatória.
- É gastroprotetora.
- Tem potencial para quimioprevenção do câncer.
- Trata distúrbios digestivos (azia, falta de apetite, flatulência).
- Possui propriedades colagogas.
- Possui propriedades coleréticas.
- É emenagoga.
- É cicatrizante.
- É diurética.
- É tônica.
- É febrífuga.
- Alivia hepatite.
- Alivia icterícia.
- Não é mutagênica (em doses e tempos testados).
2. Territorialidades associadas à espécie:
A jurubeba ocorre em quintais, áreas periurbanas, beiras de estrada e sistemas de manejo tradicional no Cerrado e em outras regiões do Brasil. Sua presença expressa territorialidades ligadas ao uso medicinal e alimentar de plantas espontâneas, à memória cultural e às práticas populares de cuidado e alimentação funcional.
3. Dimensão bioquímica–sensorial:
Sensorialmente, a jurubeba apresenta sabor marcadamente amargo, com notas herbais e adstringentes, característica associada à presença de alcaloides e compostos bioativos. Esse perfil intenso define seu uso culinário em conservas, licores, refogados e preparações medicinais, onde o amargor é culturalmente valorizado.
4. Saúde, alimentação e saberes populares :
Nos saberes populares, a jurubeba é amplamente reconhecida por seu uso digestivo, hepático e tônico, sendo associada à purificação do organismo e ao alívio de desconfortos gástricos. Seu consumo articula alimentação, fitoterapia e práticas culturais enraizadas em contextos rurais e urbanos.
5. Dimensão produtiva e econômica :
A espécie apresenta fácil adaptação e crescimento espontâneo, com produção regular de frutos. Seu valor produtivo está associado principalmente ao aproveitamento dos frutos e raízes em mercados de plantas medicinais, feiras populares e na elaboração de produtos artesanais.
6. Agricultura familiar e agroecologia :
A jurubeba integra sistemas agroecológicos como planta espontânea manejada, contribuindo para a diversidade funcional e para o aproveitamento de espécies rústicas. Seu cultivo em quintais e roças familiares fortalece a autonomia alimentar e medicinal.
7. Integração humano–animal :
Partes da planta podem ser utilizadas na alimentação animal de forma complementar ou no manejo fitossanitário tradicional, além de contribuírem para a compostagem e ciclagem de nutrientes.
8. Função ecológica e ambiental :
A espécie contribui para a proteção do solo, regeneração de áreas degradadas e oferta de recursos para insetos e aves, integrando-se a paisagens biodiversas e multifuncionais.
9. Potencial educativo :
A jurubeba possui elevado potencial educativo por articular botânica, etnobotânica, saúde e cultura alimentar, permitindo discutir plantas espontâneas, fitoterapia, amargor e diversidade de sistemas alimentares.
10. Potencial econômico :
A jurubeba apresenta potencial econômico em circuitos curtos de comercialização, especialmente em feiras de plantas medicinais, mercados locais e na produção de alimentos e bebidas funcionais artesanais.
Produtos e subprodutos com potencial de comercialização:
- Frutos frescos ou em conserva;
- Jurubeba em salmoura ou conserva artesanal;
- Licores e extratos amargos;
- Chás e preparações fitoterápicas;
- Mudas e sementes para cultivo;
- Produtos educativos e kits de plantas medicinais;
- Biomassa vegetal para compostagem e manejo agroecológico.
Referências
Foto Capa: https://jpimg.com.br/uploads/2024/12/5-beneficios-da-planta-jurubeba-para-a-saude.jpg
Figura 07: https://www.facebook.com/photo?fbid=1236030413402521&set=pcb.1236030563402506
Figura 08: https://www.facebook.com/photo?fbid=1236030523402510&set=pcb.1236030563402506
Figura 09: https://www.facebook.com/photo?fbid=1236030470069182&set=pcb.1236030563402506
Figura 10 Foto tirada por - Jefferson Carlos Sanches de Faria
Figura 11: https://ceunossasenhoradaconceicao.com.br/wp-content/uploads/jurubeba.jpg
Figura 13: https://www.gratispng.com/png-4u4nu9/download.html
Texto (Jurubeba) fonte: https://www.alice.cnptia.embrapa.br/alice/bitstream/doc/1083037/1/Solanumpaniculatump320324.pdf
Texto (Jurubeba) fonte: https://www.sitiodamata.com.br/importacao/jurubeba-solanum-paniculatum.html
Texto (Jurubeba) fonte: https://florien.com.br/wp-content/uploads/2016/06/JURUBEBA.pdf
Texto (Jurubeba) fonte: https://apremavi.org.br/jurubeba-falsa-importante-na-restauracao/
Texto (Jurubeba) fonte: https://www.epamig.br/aprenda-a-cultivar-e-preparar-jurubeba-panc-com-propriedades-medicinais/
Texto (Jurubeba) fonte: KINUPP, V.F.; LORENZI, H. Plantas alimentícias não convencionais (PANC) no Brasil: guia de identificação, aspectos nutricionais e receitas ilustradas. São Paulo: Instituto Plantarum de Estudos da Flora, 2014.
Texto (Jurubeba) fonte: KUHLMANN, Marcelo. Frutos e Sementes do Cerrado. Espécies atrativas para fauna. Marcelo Kuhlmann. 1ª ed. Brasília. Ed. Frutos Atrativos do Cerrado 2021.
Texto (Propriedades Medicinais) fonte: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/informacoes_renisus_solanum_paniculatum_jurubeba.pdf
Texto (Propriedades Medicinais) fonte: https://editorarealize.com.br/editora/anais/conapesc/2018/TRABALHO_EV107_MD1_SA20_ID565_06052018121552.pdf
Texto (Propriedades Medicinais) fonte: https://www.gov.br/saude/pt-br/acesso-a-informacao/participacao-social/consultas-publicas/2017/arquivos/MonografiaSolanumpaniculatum.pdf
Texto (Propriedades Medicinais) fonte: https://www.scielo.br/j/rbpm/a/RHZqTpVNhNkTjV5nJKkf98S/?format=pdf&lang=pt
Texto (Propriedades Medicinais) fonte: https://periodicos.ufac.br/index.php/SAJEBTT/article/download/431/619/2309
Tabela (Tabela Nutricional) fonte: https://www.saovito.com/produto/pimenta-rosa-150342?srsltid=AfmBOoou3ylkPnWbuHe61hiFcr9STIJlfygQMP0wwSxtV3VvKZnrm2sl
Texto (Nome Científico, Origem, Endemismo, Froma de Vida, Substrato, Distribuição Geográfica, Domínios Fitogeográficos, Tipo de Vegetação, Descrição) fonte: https://www.minhavida.com.br/materias/materia-12768
Ficha Técnica - Jurubeba em conserva Jefferson Carlos Sanches de Faria