Capuchinha
A capuchinha, também conhecida como chaguinha, chagas, capuchinha-grande, mastruço-do-peru e nastúrcio(Nome Científico: Tropaeolum majus L; Família: Tropeoláceas), é nativa das regiões montanhosas do México e Peru. É amplamente cultivada para fins ornamentais e para consumo nas regiões subtropicais, com destaque nas regiões Sul e áreas de altitude do Sudeste, mas também até no Nordeste e Centro-Oeste. Suas flores podem variar do amarelo-claro ao vermelho-escuro. Existem variedades como trepadeiras, rasteiras, anãs e de moita.
Suas sementes permanecem no solo e brotam quando começam os meses mais frios. As folhas jovens bem picantes têm sabor e aroma similares ao agrião e à rúcula e podem ser utilizadas em saladas cruas, salteadas, para massas verdes, patês, panquecas, pizzas, pães, charutinhos, cozidas com carnes, sopas, risostos e sanduíches. As flores, já comercializadas, são comestíveis e utilizadas para decoração. Os botões florais e frutos imaturos podem ser utilizados em coservas como sucedâneos da alcaparra. As sementes maduras podem ser tostadas ou moídas e serem utilizadas como substituta da pimenta-do-reino.
Observações Importantes:
⚠️Recomendações de uso:
- Pode ser consumida com moderação, como alimento e ingrediente culinário.
- O consumo pode ser frequente, preferencialmente em pequenas quantidades.
- As flores, folhas jovens e botões são as partes mais utilizadas na alimentação.
- Pode ser consumida crua ou levemente preparada, sendo comum em saladas e finalizações.
- Recomenda-se o uso principalmente como tempero, guarnição ou elemento ornamental comestível.
- Pessoas com sensibilidade gástrica, em consumo excessivo
- Pessoas com histórico de cálculos renais, em ingestão frequente e elevada
- Crianças pequenas, em consumo exagerado
- Confere perfil sensorial semelhante ao do agrião e da mostarda;
- Justifica seu uso predominante como condimento e hortaliça leve;
- Pode causar desconforto gástrico quando consumida em grandes quantidades;
- Sustenta a recomendação de uso moderado, especialmente em alimentação escolar e institucional.
- Agrião — sabor levemente picante e uso em saladas
- Rúcula — folhas com pungência suave
- Mostarda (folhas jovens) — perfil sensorial semelhante
- Flores comestíveis (amor-perfeito, calêndula) — uso ornamental seguro
- Alface roxa — alternativa visual para composição de pratos
- Na dúvida, não consuma.
- Certifique-se da identificação correta da espécie, evitando confusão com plantas ornamentais não comestíveis.
- Higienize adequadamente flores e folhas antes do consumo cru.
- Verifique possíveis reações alérgicas e respeite os saberes tradicionais e técnicos antes do uso alimentar.
Tabela Nutricional:
| # | Nutriente | Unidade | Valor(100g) |
|---|---|---|---|
| 1 | Energia | kcal | 50,71 |
| 2 | Proteína | g | 5 |
| 3 | Lipídios | g | 1,13 |
| 4 | Carboidratos | g | 5,17 |
| 5 | Fibra alimentar | g | 4,46 |
| 6 | Cálcio | mg | 73,21 |
| 7 | Magnésio | mg | 34,15 |
| 8 | Fósforo | mg | 43,63 |
| 9 | Ferro | mg | 0,46 |
| 10 | Sódio | g | 1,88 |
| 11 | Potássio | mg | 167,74 |
| 12 | Cobre | mg | 0,08 |
| 13 | Zinco | mg | 0,76 |
| 14 | Estrôncio | g | 0,00 |
| 15 | Molibdênio | g | 0,00 |
Nome Popular:
Capuchinha, Chaguinha, Chagas, Capuchinha-grande, Mastruço-do-peru, Nastúrcio.
Nome Científico:
Tropaeolum majus L
Família:
Tropeoláceas
Sazonalidade:
Janeiro-Dezembro
Sabor:
Levemente Picante e Refrescante
Sugestão de Preparo:
Origem:
Naturalizada
Endemismo:
Não é endêmica do Brasil
Forma de Vida:
Erva
Substrato:
Terrícola
Distribuição Geográfica - Ocorrências Confirmadas:
Nordeste (Bahia); Sudeste (Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo); Sul (Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina)
Domínios Fitogeográficos:
Mata Atlântica, Cerrado
Tipo de Vegetação:
Restinga.
Cultivo:
Semente e Estaquia
Descrição:
Caule: indumento ausente(s). Folha: folha(s) simples; ápice(s) arredondado(s). Flor: cor do cálice(s) amarelo; formato do cálcar reto(s)/levemente curvado(s); número de pétala(s) 5; cor da corola amarelo/vermelho/laranja; forma da pétala(s) obovada(s)/oblonga(s); ápice(s) das pétala(s) arredondado(s)/obtuso(s).
🌸 Capuchinha (Tropaeolum majus).
👅 Perfil sensorial (base para as preparações):
- Sabor: picante e levemente amargo, lembrando agrião e mostarda
- Aroma: fresco, vegetal e levemente apimentado
- Textura: folhas macias; flores delicadas e suculentas
➡️ Excelente para preparações cruas e salgadas, como saladas, pestos, manteigas aromatizadas, recheios e finalizações de pratos, além do uso das flores para decoração comestível e contraste sensorial
🧂 Pratos salgados e preparações culinárias
Charutinhos de Capuchinha
Ingredientes:
- 20 a 25 folhas de Capuchinha (dependendo do tamanho)
- 250 gr de ricota amassada
- 1 tomate grande sem sementes, bem picado
- 2 colheres de sopa de cebola picadinha
- 2 colheres de sopa de salsinha picada
- 1 colher de sopa de azeite
- Sal a gosto
- Pimenta-do-reino a gosto
- 1 colher de sopa de maionese ou requeijão para cremosidade
- 20 flores de capuchinha (opcional, para decorar e rechear)
Modo de preparo:
- Misture a ricota com o tomate picado.
- Acrescente a cebola e a salsinha.
- Tempere com azeite, sal e pimenta-do-reino.
- Adicione a maionese ou requeijão para deixar mais cremoso.
- Abra cada folha de capuchinha, coloque uma pequena porção de recheio e enrole formando os charutinhos.
- Preencha as flores de capuchinha com pequenas porções do recheio e sirva junto.
🍮 Doces e sobremesas
🍬 Processados artesanais e conservas
🌱 Preparações-base e ingredientes culinários
🍪 Panificação e confeitaria
🍹 Bebidas e preparações líquidas
🧪 Fermentados e usos especiais
1. Propriedades medicinais:
- Possui efeito expectorante, apoiando a remoção de secreções no sistema respiratório.
- Atua como diurética, favorecendo a eliminação de líquidos pelo sistema urinário.
- Tem ação antimicrobiana in vitro contra várias bactérias – efeito antimicrobiano.
- Apresenta propriedades vasodilatadoras coronárias, contribuindo à circulação sanguínea.
- Contém elevado teor de vitamina C, que confere função preventiva em patologias respiratórias e reforço imunológico.
- Possui ação antioxidante expressiva — sequestra radicais livres e protege contra estresse oxidativo.
- Demonstra atividade anti-inflamatória, por presença de fenólicos e flavonoides que inibem enzimas como a ciclo-oxigenase.
- Tem potencial benefício para saúde ocular, devido ao conteúdo de luteína (carotenoide) importante na prevenção de catarata e degeneração macular.
- Contém compostos sulfurados e flavonoides que contribuem para a saúde capilar e dérmica (uso externo ou tópico).
- Pode ser usada como alimento funcional (PANC) com efeito benéfico para prevenção de doenças crônicas não transmissíveis (como cardiovasculares, câncer) pelo aporte de bioativos.
2. Territorialidades associadas à espécie:
A capuchinha é cultivada em quintais, hortas urbanas, jardins produtivos e sistemas agroecológicos, sendo amplamente associada à horticultura doméstica e à culinária alternativa. Sua presença expressa territorialidades ligadas à ornamentação comestível, ao autoconsumo e à circulação de saberes sobre plantas alimentícias não convencionais.
3. Dimensão bioquímica–sensorial:
A espécie apresenta sabor levemente picante e refrescante, semelhante ao agrião, e aroma suave. Suas folhas, flores e sementes são ricas em compostos fenólicos, flavonoides e vitamina C, conferindo propriedades sensoriais e funcionais marcantes.
4. Saúde, alimentação e saberes populares :
Nos saberes populares, a capuchinha é utilizada como alimento funcional, associada a propriedades antioxidantes, expectorantes e estimulantes da digestão. Seu uso articula práticas culinárias e de cuidado com a saúde em contextos domésticos.
5. Dimensão produtiva e econômica :
A capuchinha apresenta crescimento rápido, produção abundante de folhas e flores e boa adaptação a pequenos espaços, sendo valorizada em feiras agroecológicas, gastronomia e mercados de flores comestíveis.
6. Agricultura familiar e agroecologia :
A espécie adapta-se bem a sistemas agroecológicos, podendo ser cultivada em consórcios com hortaliças e frutíferas, atuando também como planta repelente e atrativa de insetos benéficos, contribuindo para o equilíbrio ecológico dos cultivos.
7. Integração humano–animal :
Além do uso humano, a capuchinha contribui indiretamente para a alimentação de polinizadores e insetos benéficos, fortalecendo a integração entre produção agrícola e biodiversidade.
8. Função ecológica e ambiental :
A espécie atua na atração de polinizadores, na cobertura do solo e na diversificação estrutural das hortas, contribuindo para a saúde dos agroecossistemas.
9. Potencial educativo :
A capuchinha é uma planta altamente didática por reunir função ornamental, alimentar e ecológica, permitindo atividades sobre flores comestíveis, biodiversidade, agroecologia e estética dos alimentos.
10. Potencial econômico :
A capuchinha apresenta elevado potencial econômico em mercados de hortaliças diferenciadas, gastronomia e flores comestíveis, especialmente em circuitos curtos de comercialização.
Produtos e subprodutos com potencial de comercialização:
- Folhas frescas para saladas e preparações culinárias;
- Flores comestíveis para gastronomia e decoração;
- Botões florais em conserva (tipo “alcaparra”);
- Sementes para plantio e troca comunitária;
- Mudas para hortas, jardins produtivos e paisagismo comestível;
- Mix de folhas e flores para mercados agroecológicos;
- Produtos educativos e kits de cultivo.
Referências
Foto Capa: https://ciclovivo.com.br/wp-content/uploads/2018/04/iStock-692794016-1024x768.jpg
Figura 01: https://www.unirio.br/ccbs/ibio/herbariohuni/imagens/tropaeolum-majus-kolforn-canto-das-flores-8
Figura 02: https://www.unirio.br/ccbs/ibio/herbariohuni/imagens/tropaeolum-majus-kolforn-canto-das-flores-9
Figura 03: https://www.unirio.br/ccbs/ibio/herbariohuni/imagens/tropaeolum-majus-canto-das-flores-2
Figura 04: https://www.unirio.br/ccbs/ibio/herbariohuni/imagens/tropaeolum-majus-canto-das-flores-1
Figura 05: https://www.unirio.br/ccbs/ibio/herbariohuni/imagens/tropaeolum-majus-canto-das-flores-4
Figura 06: https://www.unirio.br/ccbs/ibio/herbariohuni/imagens/tropaeolum-majus-canto-das-flores-5
Figura 07: https://www.unirio.br/ccbs/ibio/herbariohuni/imagens/tropaeolum-majus-canto-das-flores-6
Figura 09 Foto tirada por - Jefferson Carlos Sanches de Faria
Figura 13: https://www.gratispng.com/png-4u4nu9/download.html
Texto (Beldroega) fonte: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/terra-da-gente/noticia/2024/09/16/do-egito-antigo-a-atualidade-beldroega-pode-controlar-diabetes-e-ser-consumida-em-varias-receitas.ghtml
Texto (Beldroega) fonte: https://saude.abril.com.br/alimentacao/beldroega-conheca-a-planta-e-seus-beneficios-a-saude/
Texto (Beldroega) fonte: https://www.gov.br/fundaj/pt-br/destaques/observa-fundaj-itens/observa-fundaj/plantas-xerofilas/beldroegas-portulaca-oleracea-as-infestantes-que-tem-mais-valor-do-que-imagina
Texto (Beldroega) fonte: https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/489377/1/Beldroega.pdf
Texto (Beldroega) fonte: https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/estilo-de-vida/meio-ambiente/beldroega-o-que-e-para-que-serve-e-como-cultivar-1.3164223/leia-tamb%C3%A9m-1.3164374/plantas-de-sombra-tipos-cuidados-e-como-manter-em-casa-7.4581333
Texto (Capuchinha) fonte: KINUPP, V.F.; LORENZI, H. Plantas alimentícias não convencionais (PANC) no Brasil: guia de identificação, aspectos nutricionais e receitas ilustradas. São Paulo: Instituto Plantarum de Estudos da Flora, 2014.
Texto (Capuchinha) fonte: RANIERI, Guilherme. Matos de Comer: Identificação de plantas comestíveis. Guilherme Ranieri. 1ª ed. São Paulo. Ed. do Autor, 2021.
Texto (Propriedades Medicinais) fonte: https://www.sbpmed.org.br/admin/files/papers/file_yiQObYf9WJmy.pdf
Texto (Propriedades Medicinais) fonte: https://hortodidatico.ufsc.br/capuchinha/
Texto (Propriedades Medicinais) fonte: https://rsdjournal.org/rsd/article/download/22623/20639/281184
Tabela (Tabela Nutricional) fonte: https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BRJD/article/view/28456/22499
Texto (Nome Científico, Origem, Endemismo, Froma de Vida, Substrato, Distribuição Geográfica, Domínios Fitogeográficos, Tipo de Vegetação, Descrição) fonte: https://floradobrasil.jbrj.gov.br/consulta/#CondicaoTaxonCP
Ficha Técnica - Charutinhos de Capuchinha Jefferson Carlos Sanches de Faria