Biribiri

O biribiri, também conhecido como bilimbi, bilimbim, bilimbino, biro-biro, limão-de-caiena, limão-caiano, limão-japonês, limãozinho, limãozinho-do-maranhão, piri-piri, piripiri, azedinha, carambola-selvagem, groselheira e caramboleira-amarela (Nome Científico: Averrhoa bilimbi L.; Família: Oxalidaceae), é uma árvore perene de porte médio, nativa do Sudeste Asiático, amplamente cultivada em regiões tropicais. No Brasil, adapta-se bem ao Norte e Nordeste e a áreas quentes e úmidas do Sudeste, produzindo em sol pleno e solos bem drenados. É valorizada em pomares domésticos e pode integrar sistemas agroflorestais por atrair polinizadores e fornecer frutos ao longo do ano em climas favoráveis.

Além de seus frutos maduros, extremamente ácidos, podem ser utilizados frutos verdes e parcialmente maduros, sempre cozidos ou processados. Na gastronomia, o biribiri é empregado em conservas e picles, chutneys, curries, molhos, caldas, sucos diluídos, geleias (com bastante açúcar), além de marinar e temperar peixes e carnes, ajudando a reduzir odores fortes. De sabor intensamente ácido e refrescante, é alternativa ao limão e ao vinagre em diversas preparações. Nutricionalmente, fornece vitamina C e antioxidantes; por conter ácido oxálico, recomenda-se consumo moderado, evitar contato prolongado com o esmalte dentário e preferir uso culinário combinado a cocção ou diluição.




Observações Importantes:

⚠️ Recomendações de uso:

  • O uso deve ser pontual e moderado, principalmente como tempero ácido ou aromatizante.
  • Não recomendado para consumo diário ou em grandes quantidades.
  • Os frutos são a principal parte utilizada na alimentação.
  • Evitar o consumo cru em excesso; priorizar preparações cozidas, fermentadas ou diluídas.
  • Utilizar em pequenas quantidades para ajuste de acidez em molhos, peixes, caldos e conservas.
❌ Não recomendado para:
  • Pessoas com problemas renais ou histórico de cálculos renais
  • Pessoas com sensibilidade gástrica ou refluxo
  • Gestantes, em consumo frequente ou concentrado
  • Crianças pequenas
🌱 Justificativa técnica: O biribiri (*Averrhoa bilimbi* L.) apresenta elevada concentração de ácido oxálico e outros ácidos orgânicos, o que:
  • Confere sabor extremamente ácido aos frutos;
  • Justifica seu uso como condimento e acidulante natural, e não como fruta de consumo livre;
  • Pode representar risco em consumo excessivo, especialmente para rins e mucosa gástrica;
  • Fundamenta a adoção do princípio da precaução alimentar, sobretudo em cozinhas institucionais.
🔁 Sugestões de substituição (uso ácido/temperante): Caso não seja possível ou recomendado o uso do biribiri (*Averrhoa bilimbi*), podem ser utilizados outros ingredientes com função semelhante, que cumprem a mesma função sensorial e apresentam maior respaldo para uso culinário cotidiano:
  • Limão — acidez conhecida e segura em uso moderado
  • Tamarindo — acidez intensa para molhos e caldos
  • Vinagre de frutas — ajuste de acidez controlado
  • Azedinha (Rumex spp.) — folhas ácidas para refogados
  • Cajá — acidez equilibrada para bebidas e conservas
⚠️ Alerta de segurança:
  • Na dúvida, não consuma.
  • Procure orientação para a identificação correta da planta, evite o consumo excessivo e respeite os saberes tradicionais e técnicos antes do uso alimentar.


Tabela Nutricional:

# Nutriente Unidade Valor(100g)
1 Valor energético kcal 25,36
2 Fibra alimentar g 0,62
3 Vitamina E total µg 17,62
4 Carotenoides totais g 0,32
*Percentual de valores diários fornecidos pela porção 100 gr cru.

Veja em 3D:

Folha

Galho

Prato

Nome Popular:

Biribiri, Bilimbi, Bilimbim, Bilimbino, Biro-biro, Limão-de-caiena, Limão-caiano, Limão-japonês, Limãozinho, Limãozinho-do-maranhão, Piri-piri, Piripiri, Azedinha, Carambola-selvagem, Groselheira, Caramboleira-amarela

Nome Científico:

Averrhoa bilimbi L.

Família:

Oxalidaceae

Sazonalidade:

Janeiro-Dezembro

Sabor:

Acidez extrema e Pungente

Sugestão de Preparo:

Vinagrete de Biribiri

Origem:

Cultivada

Endemismo:

Não é endêmica do Brasil

Forma de Vida:

Árvore

Substrato:

Terrícola

Distribuição Geográfica - Ocorrências Confirmadas:

Norte (Acre, Amazonas, Pará); Nordeste (Alagoas, Bahia, Sergipe); Centro-Oeste (Goiás, Mato Grosso); Sudeste (Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro); Sul (Rio Grande do Sul, Santa Catarina)

Possíveis ocorrências:

Norte (Tocantins);

Domínios Fitogeográficos:

Amazônia, Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica, Pampa, Pantanal

Tipo de Vegetação:

Área Antrópica

Cultivo:

Semente, Alporquia, Estaquia e Enxertia

Descrição:

Caule: arvoreta perenifólia de copa piramidal e pouco densa, de tronco curto e muito ramificado, de 5-8 m de altura. Folhas: compostas imparipinadas, de 30-50 cm de comprimento, com 10-20 pares de folíolos membranáceos, ligeiramente pubescentes em ambas as faces, um tanto sensitiva ao toque, de 5-10 cm de comprimento. Flores: pequenas, púrpura-escuras, agrupadas em cimeiras paniculadas sobre o caule e ramos. Frutos: elipsoides, verde-amarelados quando maduros, lisos, de 6-11 cm de comprimento, com mesocarpo (polpa) suculento, esverdeado e de sabor bastante ácido.


🍋 Biribiri (Averrhoa bilimbi L.).

👅 Perfil sensorial (base para as preparações):

  • Sabor: extremamente ácido, intenso e refrescante
  • Aroma: cítrico, verde e penetrante
  • Textura: polpa firme, suculenta e aquosa

➡️ Excelente para preparações salgadas e bebidas, como conservas, chutneys, temperos, marinadas, sucos diluídos e molhos, funcionando como substituto natural do limão ou vinagre


🧂 Pratos salgados e preparações culinárias


Vinagrete de Biribiri


Ingredientes:

  • 80 gr de Biribiri fresco
  • 100 gr de Cebola roxa
  • 120 gr de Tomate
  • 40 ml de Azeite de oliva
  • 50 ml de Água
  • Sal e pimenta-do-reino a gosto
  • Chiero-verde ou coentro a gosto


Modo de preparo:

  • Picar o biribiri, tomate e cebola em cubos pequenos.
  • Misturar.
  • Acrescentar água, azeite, sal, pimenta-do-reino e cheiro-verde/coentro.
  • Ajustar acidez conforme preferência.

Figura 10 - Vinagrete de Biribiri Figura 10 - Vinagrete de Biribiri


🍮 Doces e sobremesas


🍬 Processados artesanais e conservas


🌱 Preparações-base e ingredientes culinários


🍪 Panificação e confeitaria


🍹 Bebidas e preparações líquidas


🧪 Fermentados e usos especiais


1. Propriedades medicinais:

  • É antidiabético.
  • Possui potente ação hipoglicemiante (reduz açúcar no sangue).
  • É anti-hipertensivo (baixa a pressão arterial).
  • É hipolipidêmico (reduz colesterol e triglicerídeos).
  • É antitrombótico (previne coágulos).
  • É hepatoprotetor (protege o fígado).
  • É antioxidante.
  • Possui atividade antimicrobiana.
  • É antifúngico.
  • Apresenta atividade citotóxica (contra células cancerígenas).
  • É anti-inflamatório.
  • É analgésico (alivia a dor).
  • Acelera a cicatrização de feridas.
  • Auxilia no tratamento da obesidade.
  • Trata tosse e resfriados (xarope das flores/frutos).
  • Alivia reumatismo (pasta das folhas).
  • Trata caxumba (parotidite).
  • Alivia coceiras e erupções cutâneas.
  • É antiescorbútico (fonte de vitamina C).
  • Possui efeito antifertilidade (em doses elevadas).


2. Territorialidades associadas à espécie:

O biribiri ocorre em quintais, áreas urbanas, sítios, áreas periurbanas e sistemas agroflorestais, sendo tradicionalmente cultivado como frutífera condimentar e medicinal. Sua presença expressa territorialidades alimentares não convencionais associadas ao uso ácido dos frutos na culinária, à conservação de alimentos e à manutenção de saberes culinários e medicinais de base familiar.


3. Dimensão bioquímica–sensorial:

Sensorialmente, o biribiri apresenta sabor intensamente ácido, refrescante e adstringente, com polpa aquosa e aroma suave. É rico em ácidos orgânicos, especialmente ácido oxálico, além de vitamina C e compostos fenólicos, o que confere alto potencial condimentar, conservante natural e funcional quando utilizado de forma pontual e controlada.


4. Saúde, alimentação e saberes populares :

Nos saberes populares, o biribiri é utilizado como estimulante digestivo, refrescante e auxiliar no preparo de conservas e temperos. É empregado em molhos, peixes, carnes, picles, sucos diluídos e preparações medicinais tradicionais, articulando alimentação, saúde e práticas culturais, sempre com recomendações de uso moderado.


5. Dimensão produtiva e econômica :

A espécie apresenta frutificação abundante, com colheitas frequentes ao longo do ano. Seu valor econômico está associado principalmente ao uso culinário como fruta-condimento, ao processamento artesanal e à venda em mercados locais e circuitos curtos de comercialização.


6. Agricultura familiar e agroecologia :

O biribiri integra quintais produtivos e sistemas agroflorestais como frutífera rústica e de baixo manejo, contribuindo para a diversificação produtiva, o uso culinário estratégico e a soberania alimentar, quando associado a práticas agroecológicas e orientações de consumo consciente.


7. Integração humano–animal :

Os frutos do biribiri podem ser consumidos por algumas espécies de fauna silvestre, especialmente após amadurecimento ou fermentação natural, enquanto flores atraem insetos polinizadores. A espécie contribui para a dinâmica ecológica dos quintais e sistemas agroflorestais.


8. Função ecológica e ambiental :

A espécie contribui para o sombreamento, melhoria do microclima e diversificação estrutural dos quintais e áreas produtivas. Sua rusticidade e capacidade de adaptação reforçam seu papel em sistemas agroflorestais e paisagens produtivas de base familiar.


9. Potencial educativo :

O biribiri apresenta elevado potencial educativo por permitir a discussão sobre frutas ácidas, compostos bioquímicos, segurança alimentar, usos tradicionais e limites de consumo, sendo especialmente relevante em ações de educação alimentar e nutricional.


10. Potencial econômico :

O biribiri apresenta potencial econômico em nichos gastronômicos, feiras agroecológicas, mercados locais e iniciativas de valorização de frutas-condimento e da sociobiodiversidade alimentar.

Produtos e subprodutos com potencial de comercialização:

  • Frutos in natura (uso condimentar);
  • Polpa e suco diluído;
  • Molhos ácidos e temperos artesanais;
  • Conservas, picles e chutneys;
  • Vinagres e fermentados leves;
  • Chás e preparados tradicionais;
  • Mudas para quintais produtivos;
  • Produtos educativos e kits agroecológicos.

Figura 11 - Biribiri Figura 11 - Biribiri

Referências

Foto Capa: https://media-agro.estadao.com.br/uploads/2025/09/biribiri-1.jpg

Figura 01: https://media-agro.estadao.com.br/uploads/2025/09/biribiri-2.jpg

Figura 02: https://media-agro.estadao.com.br/uploads/2025/09/Capa-biribiri.jpg

Figura 03: https://media-agro.estadao.com.br/uploads/2025/09/biribiri.jpg

Figura 04: https://www.brasilagosto.org/wp-content/uploads/2019/08/biribiri.jpg

Figura 05: https://pt.wikipedia.org/wiki/Bilimbi#/media/Ficheiro:Bilumbi_fruits.JPG

Figura 06: https://pt.wikipedia.org/wiki/Bilimbi#/media/Ficheiro:Averrhoa_bilimbi_ripe.JPG

Figura 07: https://pt.wikipedia.org/wiki/Bilimbi#/media/Ficheiro:Averrhoa_bilimbi_flower.jpg

Figura 08: https://www.aggieglobal.com/products/bilimbi-fruit

Figura 09: https://www.aggieglobal.com/products/bilimbi-fruit

Figura 10 Foto tirada por - Jefferson Carlos Sanches de Faria

Figura 11: https://cdn.pixabay.com/photo/2023/12/13/23/11/bilimbi-8447943_1280.jpg

Figura 13: https://www.gratispng.com/png-4u4nu9/download.html

Texto (Biribiri) fonte: https://g1.globo.com/mt/mato-grosso/maisagromt/noticia/2023/12/01/conheca-a-biribiri-fruta-azeda-que-traz-beneficios-para-a-saude.ghtml

Texto (Biribiri) fonte: https://nutritotal.com.br/publico-geral/material/para-que-serve-o-biribiri/

Texto (Biribiri) fonte: https://www.plantei.com.br/plantas/frutiferas/bilimbi-ou-biribiri

Texto (Biribiri) fonte: https://agro.estadao.com.br/agricultura/limao-biribiri

Texto (Biribiri) fonte: https://www.bhmudas.com.br/biribiri-lindas-mudas

Texto (Biribiri) fonte: KINUPP, V.F.; LORENZI, H. Plantas alimentícias não convencionais (PANC) no Brasil: guia de identificação, aspectos nutricionais e receitas ilustradas. São Paulo: Instituto Plantarum de Estudos da Flora, 2014.

Texto (Propriedades Medicinais) fonte: https://idonline.emnuvens.com.br/id/article/viewFile/3300/5184

Texto (Propriedades Medicinais) fonte: https://www2.uesb.br/ppg/ppgecal/wp-content/uploads/2017/04/BRUNA-FIGUEREDO.pdf

Texto (Propriedades Medicinais) fonte: https://repositorio.ufjf.br/jspui/bitstream/ufjf/15837/1/jessicanunesferreira.pdf

Texto (Propriedades Medicinais) fonte: https://www.scielo.br/j/cr/a/LPcYH8XWzLn9d9Bxxb8r9gR/?format=pdf&lang=en

Texto (Propriedades Medicinais) fonte: https://idonline.emnuvens.com.br/id/article/viewFile/3300/5184

Tabela (Tabela Nutricional) fonte: https://repositorio.ufjf.br/jspui/bitstream/ufjf/15837/1/jessicanunesferreira.pdf

Texto (Nome Científico, Origem, Endemismo, Froma de Vida, Substrato, Distribuição Geográfica, Domínios Fitogeográficos, Tipo de Vegetação, Descrição) fonte: https://floradobrasil.jbrj.gov.br/consulta/#CondicaoTaxonCP

Ficha Técnica - Vinagrete de Biribiri Jefferson Carlos Sanches de Faria

Figura 13 - Referências. Figura 13 - Referências.