Bacupari
O bacupari, também conhecido como bacopari, bacoparé, bacuripari, vacopari, bacuparizinho, bacuri-miúdo, bacuri-mirim, bacurizinho, mangostão-amarelo, mucuri, guanandi-branco, laranjinha-do-cerrado, limãozinho, abiu-do-mato, cupari e remelento (Nome Científico: Garcinia gardneriana (Planch. & Triana) Zappi; Família: Clusiaceae), é uma árvore de pequeno a médio porte, nativa do Brasil e distribuída principalmente na Mata Atlântica, com ocorrências também em áreas de transição e matas ciliares. É valorizada pela rusticidade, pela adaptação a climas tropicais úmidos e pela produção regular de frutos, sendo indicada para pomares domésticos, bordas de mata e sistemas agroflorestais. Suas flores atraem polinizadores e os frutos alimentam a fauna, contribuindo para a biodiversidade e a restauração ecológica.
Além da polpa amarela e suculenta, de sabor doce‑acidulado, os frutos podem ser consumidos ao natural e aproveitados na gastronomia em sucos, sorvetes, geleias, compotas, caldas, doces e licores. A espécie se destaca pelo teor de vitamina C, fibras e antioxidantes (como xantonas e outros fenólicos) associados a potencial efeito anti-inflamatório, além de carotenoides que colaboram para a cor e o valor funcional. Por serem frutos delicados e perecíveis, recomenda-se colher maduros e processar logo após a colheita para melhor aproveitamento sensorial e nutricional.
Observações Importantes:
⚠️ Recomendações de uso:
- Os frutos podem ser consumidos com moderação, preferencialmente in natura.
- O consumo pode ser frequente, integrado a uma alimentação equilibrada.
- Também pode ser utilizado em sucos, doces, geleias e fermentações leves.
- Recomenda-se atenção ao consumo excessivo devido à acidez natural do fruto.
- Evitar o uso de partes não comestíveis da planta.
- Pessoas com sensibilidade gástrica, em consumo excessivo
- Crianças pequenas, em grandes quantidades
- Pessoas com histórico de alergia a frutos pouco comuns
- Confere sabor ácido-adocicado característico;
- Justifica seu uso tradicional como fruta fresca e em preparações doces;
- Contribui para o valor nutricional como fruta funcional;
- Requer moderação no consumo excessivo, sobretudo em dietas sensíveis à acidez.
- Araçá (Psidium cattleyanum) — perfil ácido-adocicado regional
- Gabiroba (Campomanesia spp.) — alternativa do Cerrado
- Cajá — acidez marcante para bebidas
- Acerola — rica em vitamina C
- Cagaita — fruta típica para doces e sucos
- Na dúvida, não consuma.
- Certifique-se da identificação correta da espécie, utilize apenas os frutos maduros e respeite os saberes tradicionais e técnicos antes do uso alimentar.
Tabela Nutricional:
| # | Nutriente | Unidade | Valor(100g) |
|---|---|---|---|
| 1 | Valor energético | kcal | 46 |
| 2 | Proteínas | g | 0,6 |
| 3 | Lipídios | g | 0,1 |
Nome Popular:
Trapoeraba, Trapoeraba-azul, Andacá, Trapoeraba-de-bengala, Trapoeraba-graúda, Marianinha, Mata-brasil, Erva-de-santa-luzia Bacupari, Bacopari, Bacoparé, Bacuripari, Vacopari, Bacuparizinho, Bacuri-miúdo, Bacuri-mirim, Bacurizinho, Mangostão-amarelo, Mucuri, Guanandi-branco, Laranjinha-do-cerrado, Limãozinho, Abiu-do-mato, Cupari, Remelento.
Nome Científico:
Garcinia gardneriana (Planch. & Triana) Zappi
Família:
Clusiaceae
Sazonalidade:
Dezembro-Março
Sabor:
Equilíbrio perfeito entre o Doce e o Ácido
Sugestão de Preparo:
Mocktail de bacupari com morango, hortelã e água com gás
Origem:
Naturalizada
Endemismo:
Não é endêmica do Brasil
Forma de Vida:
Arbusto, Árvore
Substrato:
Terrícola
Distribuição Geográfica - Ocorrências Confirmadas:
Norte (Acre, Amazonas, Pará, Roraima); Nordeste (Alagoas, Bahia, Ceará, Pernambuco); Centro-Oeste (Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso); Sudeste (Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo); Sul (Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina)
Domínios Fitogeográficos:
Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampa
Tipo de Vegetação:
Floresta Ciliar ou Galeria, Floresta de Terra Firme, Floresta Estacional Semidecidual, Floresta Ombrófila (Floresta Pluvial), Restinga
Cultivo:
Semente, Alporquia e Enxertia
Descrição:
Caule: Árvores pequenas ou arbustos, 5-12 m de altura (podendo atingir 16 m) e 10-15 cm (raro 25 cm) de diâmetro; látex claro pouco abundante; ramos tetrágonos, sulcados nodosos, ramos jovens lisos, brilhantes ou cerosos. Folha: oposta, pecíolo 0,5-2,5 cm, tetrágono, supra canaliculado, sulcado transversalmente e plicado, lâmina opaca em ambas as faces, cartácea ou subcoriácea (membranácea no ápice do ramo), elíptico-lanceolada ou oblonga, 4-16 cm de comprimento; 1,5-7 cm de largura, ápice subacuminado a acuminado ou longamente acuminado, subagudo a agudo; base aguda, atenuada e assimétrica; margem plana, abertamente revoluta, ondulada ou levemente crenada; nervura principal supra e infra proeminente, sulcada, nervação secundária abundante, supra e infra proeminente, mais ou menos aberta, paralela entre si, ascendente com algumas nervuras anastomosando-se sob a margem, reticulação conspícua; canais laticíferos escuros geralmente visíveis, densos. Inflorescência: em fascículos opostos axilares, 7-15 a muitas flores-fascículo, botões florais globosos ou oblongos, flores até 1cm de diâmetro; pedicelo muito variável, 0,5-4 cm de comprimento; sépalas 2, branco-esverdeadas, orbiculares, muitas vezes com canais marrons; pétalas 4, creme-esverdeadas ou alvas, geralmente reflexas após a antese, obovais a suborbiculares, com canais marrons; flores masculinas: de 10-15, inseridas sobre um pequeno pulvínulo de 1-1,5 mm de altura e 4-5 mm de diâmetro, disco pulviniforme, com 0,8-1 mm de altura e 1,5 mm de diâmetro; 12-16 estames rigidamente eretos, filetes achatados, hialinos, anteras rimosas 0,2-0,4mm; disco central conspicuamente convexo, elevado cerca de 1mm, liso. flores hermafroditas: 5-10 por fascículo, inseridas sobre um pulvínulo semelhante ao das flores masculinas, com 1(-2) série de estaminódios com anteras estéreis bem desenvolvidas, disco conspícuo, longitudinalmente sulcado, ovário súpero, 2(-3)-locular, oboval, liso, estigma disciforme ou 2-3-lobado. Fruto: liso, longo pedunculado (1,5-4 cm), amarelo esverdeado, subgloboso, globoso a amplamente elíptico, rostro conspícuo com até 0,5 cm de comprimento, coroado pelo estigma remanescente, base arredondada ou aguda, inserida sobre o disco concrescido e restos do perianto e androceu. Semente elíptica (até 2 cm), lisa; 1 a 2 sementes-fruto.
🍋 Bacupari (Garcinia gardneriana (Planch. & Triana) Zappi).
👅 Perfil sensorial (base para as preparações):
- Sabor: agridoce equilibrado, com acidez refrescante e leve doçura residual
- Aroma: frutado, fresco e delicado
- Textura: polpa macia, suculenta e levemente cremosa quando madura
➡️ Indicado para preparações doces e agridoce, como sucos, refrescos, geleias, compotas, molhos para carnes brancas, sobremesas leves e fermentações artesanais
🍹 Bebidas e preparações líquidas
Mocktail de bacupari com morango, hortelã e água com gás
Ingredientes:
- 50 gr de polpa de Bacupari
- 150 gr de Morango
- 300 ml de Água com gás bem gelada
- 6 folhas de Hortelã
- Açúcar ou xarope simples – opcional (10–20 ml)
- Gelo – quanto baste
Modo de preparo:
- Macerar levemente o morango com a hortelã.
- Acrescentar a polpa de bacupari e misturar.
- Completar com gelo e água com gás.
- Misturar delicadamente para preservar a carbonatação.
- Ajustar dulçor, se necessário, e servir imediatamente.
🍮 Doces e sobremesas
🍬 Processados artesanais e conservas
🌱 Preparações-base e ingredientes culinários
🍪 Panificação e confeitaria
🧂 Pratos salgados e preparações culinárias
🧪 Fermentados e usos especiais
1. Propriedades medicinais:
- Combate processos inflamatórios potentes (devido aos biflavonoides).
- Alivia a dor (efeito antinociceptivo).
- Auxilia na redução dos níveis de glicose no sangue (antidiabético).
- Acelera a recuperação de feridas e lesões na pele.
- Combate bactérias (incluindo Staphylococcus aureus e Pseudomonas aeruginosa).
- Combate radicais livres e previne o envelhecimento celular.
- Possui compostos (como a moreloflavona) com potencial citotóxico contra células cancerígenas.
- Utilizado tradicionalmente para tratar cistites e infecções do trato urinário.
- Auxilia no tratamento de úlceras e gastrites.
- Alivia dores reumáticas e artrites (uso popular).
- Utilizado para combater a fadiga.
- Fonte de compostos bioativos como fukugetina e moreloflavona.
2. Territorialidades associadas à espécie:
O bacupari ocorre em áreas de Cerrado, matas semidecíduas, bordas de florestas, quintais rurais e sistemas agroflorestais, sendo tradicionalmente manejado por meio do extrativismo e do cultivo doméstico. Sua presença expressa territorialidades alimentares não convencionais associadas ao consumo de frutas nativas, à soberania alimentar e à valorização dos saberes tradicionais sobre espécies do Cerrado e da Mata Atlântica.
3. Dimensão bioquímica–sensorial:
Sensorialmente, o bacupari apresenta polpa branca a amarelada, suculenta e de sabor agridoce suave, com aroma delicado e textura macia. É rico em xantonas, flavonoides, compostos fenólicos e vitamina C, conferindo elevado potencial antioxidante, funcional e gastronômico.
4. Saúde, alimentação e saberes populares :
Nos saberes populares, o bacupari é reconhecido como fruta refrescante e digestiva, consumida principalmente in natura. A casca e a polpa também são utilizadas em preparações tradicionais associadas a propriedades anti-inflamatórias, cicatrizantes e antioxidantes, articulando alimentação, saúde e práticas culturais locais.
5. Dimensão produtiva e econômica :
A espécie apresenta frutificação sazonal e bom rendimento por árvore. Seu valor econômico está associado ao consumo local, ao processamento artesanal e ao potencial de inserção em mercados de frutas nativas, agregando valor à sociobiodiversidade regional.
6. Agricultura familiar e agroecologia :
O bacupari integra sistemas agroflorestais e quintais produtivos como frutífera nativa de crescimento moderado, contribuindo para a diversificação alimentar, sombreamento e fortalecimento da segurança alimentar em bases agroecológicas.
7. Integração humano–animal :
Os frutos do bacupari são consumidos por aves e mamíferos silvestres, contribuindo para a dispersão de sementes e a manutenção da fauna local. Essa interação reforça os ciclos ecológicos e a regeneração natural dos ecossistemas.
8. Função ecológica e ambiental :
A espécie desempenha papel relevante na recomposição de áreas naturais, na conservação da biodiversidade e na estruturação de sistemas agroflorestais. Sua presença contribui para a conectividade ecológica e a estabilidade dos ecossistemas.
9. Potencial educativo :
O bacupari apresenta elevado potencial educativo por articular botânica, ecologia, etnobotânica, soberania alimentar e valorização de frutas nativas, sendo amplamente utilizado em ações de educação ambiental, alimentar e territorial.
10. Potencial econômico :
O bacupari apresenta potencial econômico em mercados locais, feiras agroecológicas, gastronomia regional e cadeias da sociobiodiversidade.
Produtos e subprodutos com potencial de comercialização:
- Frutos in natura;
- Polpa fresca ou congelada;
- Sucos e néctares;
- Geleias, doces e compotas;
- Sorvetes e sobremesas artesanais;
- Extratos e preparados tradicionais;
- Mudas para sistemas agroflorestais e restauração;
- Produtos educativos e kits agroecológicos.
Referências
Foto Capa: https://files.agro20.com.br/uploads/2019/09/Bacupari-3-1024x576.jpg
Figura 03: https://pt.wikipedia.org/wiki/Bacupari#/media/Ficheiro:P%C3%A9_de_Bacupari.JPG
Figura 04: https://pt.wikipedia.org/wiki/Bacupari#/media/Ficheiro:Starr_010309-0546_Calophyllum_inophyllum.jpg
Figura 09: https://www.instagram.com/p/DEDJTL6vzEn/?img_index=5
Figura 10 Foto tirada por - Jefferson Carlos Sanches de Faria
Figura 11: https://www.projetopiracanjuba.org.br/galeria/bacupari/62#galeria_principal-5
Figura 13: https://www.gratispng.com/png-4u4nu9/download.html
Texto (Bacupari) fonte: https://saude.abril.com.br/alimentacao/bacupari-a-frutinha-brasileira-que-e-rica-em-compostos-anti-inflamatorios/
Texto (Bacupari) fonte: https://www.alice.cnptia.embrapa.br/alice/bitstream/doc/1140434/1/Especies-Arboreas-Brasileiras-vol-5-Bacupari.pdf
Texto (Bacupari) fonte: https://www.oliberal.com/receita/bacupari-o-que-e-beneficios-e-como-comer-1.612290
Texto (Bacupari) fonte: https://www.asaacai.com.br/superalimentos/amazonia/bacupari-beneficios-propriedades-e-como-consumir
Texto (Bacupari) fonte: https://www.colecionandofrutas.com.br/garciniabrasgard.htm
Texto (Bacupari) fonte: KINUPP, V.F.; LORENZI, H. Plantas alimentícias não convencionais (PANC) no Brasil: guia de identificação, aspectos nutricionais e receitas ilustradas. São Paulo: Instituto Plantarum de Estudos da Flora, 2014.
Texto (Propriedades Medicinais) fonte: https://repositorio.unesp.br/server/api/core/bitstreams/7ee91f40-d2b5-4fda-a60e-0818957d2d34/content
Texto (Propriedades Medicinais) fonte: https://www.scielo.br/j/rbpm/a/JrDhpbgvPZhVw3mPnHNC8Gf/?format=pdf&lang=pt
Texto (Propriedades Medicinais) fonte: https://ric.cps.sp.gov.br/bitstream/123456789/29586/1/tecnico_em_quimica_2024_2_dandara_martins_barbosa_obtencao_de_concentrado_de_bacupari_por_meio_da_fermentacao_natural.pdf.pdf
Texto (Propriedades Medicinais) fonte: https://periodicorease.pro.br/rease/article/download/8520/3345/12341
Texto (Propriedades Medicinais) fonte: https://tede.ufam.edu.br/bitstream/tede/10007/2/DISS_RayssaPinto_PPGBIOTEC.pdf
Tabela (Tabela Nutricional) fonte: https://www.todafruta.com.br/bacupari/#:~:text=Usos%20do%20bacupari,cultivavam%20para%20cercar%20suas%20ro%C3%A7as.
Texto (Nome Científico, Origem, Endemismo, Froma de Vida, Substrato, Distribuição Geográfica, Domínios Fitogeográficos, Tipo de Vegetação, Descrição) fonte: https://floradobrasil.jbrj.gov.br/consulta/#CondicaoTaxonCP
Ficha Técnica - Mocktail de bacupari com morango, hortelã e água com gás Jefferson Carlos Sanches de Faria